
Hoje é o aniversário de morte do Raul. Estranho dizer “aniversário de morte”. Mas como eu sempre vi esta data como a morte do homem Raul Seixas e o nascimento do Raul Seixas mito, o termo “aniversário” acaba fazendo algum sentido…
Me lembrei de uma entrevista que fiz com o produtor Pena Schmidt há mais de dez anos. Falávamos sobre o álbum A Panela do Diabo‘, de 1989, último pelo Raul gravado – feito em parceria com Marcelo Nova.
Entre outros assuntos, falamos de Nuit, a derradeira vez em que Raul Seixas registrou uma música. O Pena contou algo tão tocante quanto a impressão que uma simples audição dessa faixa nos dá:
“Regulamos tudo exatamente do jeito que ele gostava, e ele falou: ‘Solta aí, meu nego!’. Havia mais quatro ou cinco pessoas na técnica, dentro do estúdio, e quando o Raul terminou a música, todo mundo ficou uns 2 ou 3 minutos em silêncio. Você olhava em volta, e estavam todos com aquele nó na garganta. Porque era o bilhete – não do suicida, mas do cara que vai embora e sabe que vai morrer. Nós paramos de trabalhar.
Aí, o Raul:
– E aí?
– Tá ótimo, Raul! Tá lindo! Quer ouvir? – perguntei.
– Não. Se vocês acham que tá bom, tá bom!
A sensação que eu tenho é que ele terminou ali. O Raul estava falando para onde estava indo, cara! Foi um adeus!”
Pena Schmidt depois completou: “Eu nunca tinha gravado um disco do Raul. Pra mim, foi um tranco botar um ídolo ali, na frente, pra gravar. O Raul não estava bem. Tinha que tomar remédio, estava fisicamente debilitado, não conseguia respirar direito e perdia o fôlego só de cantar uma frase. Era duro!
Lembro que a gente ia buscar o Raul em casa. Tivemos todo um carinho com ele. Foi exatamente isso: um dia de reencontro [para o Raul Seixas]. Muito mais do que a gravação, foi o Raul dentro do estúdio, feliz pra caramba de estar lá, revivendo uma emoção da vida dele, de gravar, de estúdio. Curtiu pra caramba as letras, riu pra caralho. Mergulhou na música!”
Resposta
[…] que abre o disco, e Carro de Boi. Sempre tive vontade de gravar Cachorro Urubu, do Raul Seixas, mas num arranjo diferente. Também estava envolvido com o Belchior, que me falou: “Pô, Rick, […]
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