
O EP inaugural do Madre Sun, The Speed of Light, tem colhido ótimos frutos não por acaso. O registro traz um repertório robusto, com canções de melodias e riffs fotogênicos e solos bem desenhados. Os caras sabem fazer música boa. Têm referências óbvias, porém, não se norteiam pela cópia.
A banda surgiu na Inglaterra, formada por brasileiros e um gringo de sobrenome forte. São eles os irmãos Eduardo (vocal, baixo) e Matt Cavina (guitarra), além de Flipi Stipp (bateria) e Tyson Schenker (guitarra solo), filho de Michael Schenker e sobrinho de Rudolf Schenker, do Scorpions.
O próximo single, terceiro da fila, será a faixa Black River. Para o clipe, o quarteto pretende contar com a colaboração dos fãs. Os interessados devem preparar um vídeo de no máximo 45 segundos, gravado na horizontal, em que apareçam cantando, dançando, tocando um instrumento ou apenas curtindo a música em questão (que deve estar tocando ao fundo da gravação). O material precisa ser enviado para contactmadresun@gmail.com até o próximo dia 17, incluindo nome completo.
Bem, entre outras coisas, o Madre Sun orgulha-se por fazer um rock sem amarras. O quanto isso significa, você descobre a seguir.
Como se deu a gênese do grupo?
Tyson Schenker: Conheci o Eduardo quando trabalhávamos juntos em uma loja de motocicletas, em Londres. Ele e seu irmão Matt estavam querendo começar uma nova banda. Ele me convidou para ir vê-los tocar. Naquele mesmo dia conheci o Matt. Fiquei impressionado com a banda deles! Adorei as harmonias vocais que faziam. Então, planejamos um ensaio, e esse foi o primeiro passo. Passamos a compor e a preparar as músicas para o EP praticamente de imediato. Estávamos prontos para gravar em 5 meses!
A resposta a The Speed of Light tem surpreendido vocês?
Matt Cavina: Sim, e muito! Quando entramos em estúdio para gravar esse EP, já sabíamos que tínhamos grandes músicas ali. Porém, a aceitação foi bem maior e mais abrangente do que imaginávamos.
O material é muito bom. O que especificamente mais valorizam quando compõem?
Matt: Obrigado! Na verdade, deixamos tudo fluir. As composições aparecem do nada, e quando todos se envolvem, saem rápido e de forma muito natural. Temos uma sintonia bem latente. É até estranho, mas já aconteceu de eu enviar uma ideia de riff ao Tyson e ele, no mesmo minuto, dizer que estava fazendo a mesma coisa e me enviar quase que o mesmo riff e ideias! Parece uma improvável coincidência, mas com a gente acontece [risos].
Fazer rock sem amarras é sempre bem-vindo. Porém, como ressaltar isso num mundo em que nada mais tem amarras, por causa da internet?
Matt: A verdade é que tudo o que está em nosso redor acaba nos influenciando, direta ou indiretamente. Nosso ponto principal é justamente que, em um mundo como o que vivemos hoje, estamos tentando nos expressar da forma mais simples e honesta, musicalizando todo o sentimento que vem do coração.
Como o filho de Michael Schenker foi parar no Madre Sun?
Tyson: Passei por algumas bandas ao longo dos anos. Uma das primeiras foi a Faster Inferno, de Cambridge, no Reino Unido. Abrimos o Wacken Festival de 2006, quando também pude me juntar ao Scorpions no palco para tocar uma música com todos os ex-membros – e essa ainda é uma de minhas maiores lembranças.
Depois veio The Audio Cartel, de Nova York, que tive com um amigo de infância. Fizemos muitos shows pela cidade, além de uma pequena turnê pelo Reino Unido. A banda seguinte foi o State Villains, de Londres, com meu amigão Nik. Em todos esses grupos gravamos somente um EP e então a coisa ia pro brejo. Estou empolgado para fazer um álbum completo com o Madre Sun.
Os solos em The Speed of Light chamam a atenção, também. Tyson, como se dedicou a essa parte especificamente?
Tyson: Todos os solos no EP foram improvisadas no estúdio. Acho que há uma mágica em ter um som bom e deixar que isso te inspire. Ensaiando ou tocando ao vivo, se você estiver completamente entregue e sua guitarra estiver soando incrível, um raio de inspiração pode te atingir – e é impossível saber aonde ele te levará. Há uma música, chamada In the Shadows, cujo solo da introdução veio do nada. Esse é um de meus favoritos!
*Entrevista originalmente postada em meu antigo blog (Riffs).