Herman Rarebell e seus tempos na batera do Scorpions

Divulgação

Em 2010, na etapa final do período em que passei editando a revista Rock Brigade, havia planos para uma supermatéria sobre o Scorpions. Infelizmente – e não por minha vontade –, as coisas mudaram, e essa entrevista com o ex-baterista da banda, Herman Rarebell (na foto, o primeiro à esquerda), foi limada.

Esse cara é um dos principais compositores do grupo alemão em seu período dourado. No papo que tivemos há cerca de uma década, ele me falou dos seus tempos junto com a trupe (1977-1995). Se reparar, os principais clássicos têm sua participação, seja na composição ou na gravação.

Então, aqui vai esse achado inédito de meu baú.

Como você entrou para o Scorpions?
Entrei em 18 de maio de 1977. Eu os encontrei na Inglaterra, onde estavam fazendo testes [com bateristas], no famoso Marquee Club. Michael Schenker, irmão de Rudolf, disse-me que eles estavam procurando um baterista. No dia seguinte, fui fazer o teste. Todos os candidatos tinham que tocar três músicas. Depois, ouvi o famoso: “qualquer coisa, te ligamos”. Eu pensei que não iria ver os caras nunca mais, mas, no dia seguinte, o tour manager deles me ligou dizendo: “O emprego é seu, caso você ainda esteja interessado”.

Você foi um dos principais compositores da banda, junto com Schenker e Meine. Qual foi a sua primeira canção?
Morei na Inglaterra até 1977, quando entrei para a banda. Então, eu tinha o melhor inglês de nós. Rudolf apareceu com os riffs da música He’s a Woman – She’s a Man, e me pediu algumas linhas para a letra. Naquela época, fomos a Paris e, quando saímos para a noitada, uma mulher com voz esquisita apareceu e disse [ele engrossa a voz]: “E aí, pessoal! Na verdade, eu sou um homem. Não se assustem, mas muitos aqui são travestis”. Foi daí que tirei a ideia para a minha primeira letra para a banda. E assim fui compondo mais e mais.

Das que escreveu, quais são as suas preferidas?
Minhas preferidas são, claro, Rock You Like a Hurricane e Blackout. Gosto da positividade na mensagem em Make It Real e do romantismo de Arizona – aliás, até hoje, quando vou ao Arizona (EUA), todos conhecem essa música que escrevi.

Como foi experimentar o sucesso mundial?
Nosso sonho era ser uma das maiores bandas de rock do mundo e eu sempre disse aos caras que devíamos ir para os EUA. O pessoal da gravadora na Alemanha disse: “Vocês estão loucos!? Acham que há espaço para vocês por lá? Vocês são apenas cinco alemães comuns. Esqueçam esse sonho e voltem à realidade!” Contudo, eu sempre pensava: “Um dia, tocaremos em estádios nos EUA e vocês [os caras da gravadora] irão nos assistir”. Exatamente cinco anos depois foi o que aconteceu.

O que aconteceu para o Francis Buchholz sair da banda?
Essa é uma longa história. O Francis era o responsável pelo dinheiro da banda e, em 1992, muito dinheiro estava sumindo. O questionamos e ele fingiu não saber o que havia acontecido. Para nós, foi motivo para afastá-lo.

E por que você deixou a banda?
Em 1996, recebi um convite do príncipe Albert (Mônaco) para criar uma gravadora, a Monaco Records. Depois de cerca de 20 anos, sentia que a criatividade na banda estava em baixa e achei que aquela era uma ótima oferta. Eu e minha família estávamos morando em Mônaco. Assim, em 6 de maio de 1996, criamos a gravadora, que existiu por cinco anos.

O que você acha do Scorpions depois que saiu da banda?
Eles gravaram quatro discos de estúdio, mas realmente não acho que soem como Scorpions. Contudo, devo dizer que o novo, Sting in the Tail [2010], soa muito como o antigo Scorpions, uma mistura de Blackout‘ [1982] e Love at First Sting [1984].