Bruce Kulick: histórias por trás da história

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A tão sonhada reunião da formação original do Kiss, a partir do Psycho-Circus, foi frustrante. E essa frustração fica ainda maior porque não esteve à altura do que deveria ter sido nem da banda que o quarteto era com Bruce Kulick e Eric Singer. Como Paul Stanley e Gene Simmons negligenciaram uma química tão boa, quanto esta (1992-1996), em troca de um projeto fake!?

Kulick é um cara que merece muito mais crédito do que tem. Tive a felicidade de entrevistá-lo, há uns 7 anos… por aí. Demos uma geral em seu período no Kiss, e devo confessar que, se fosse publicar um livro com minhas melhores entrevistas, aquela (para a Guitar Player) sem dúvida estaria lá! Me deu orgulho de minha abordagem e da maneira prestativa como ele respondeu às perguntas.

Hot in the Shade é um disco que considero muito bom. Não é imbatível como o seguinte, Revenge, mas tem punch e coisas interessantes. Ficou marcado pelo verniz farofa que adornou os discos da banda em boa parte dos anos 1980. O fato é que ilustra um esforço de mudança de rumo sonoro. Sobre essa transição, Kulick me disse:

“Nos demos conta de que o estilo que explorávamos estava ficando ultrapassado. Então, “por que não resgatamos nossas raízes?”, e, assim, eles começaram a compor várias canções. Queríamos colocar diversas delas no disco. Honestamente, guitarras com alavanca já não eram mais tão importantes. Eu estava tocando mais Les Paul e coisas assim. Foi, sem dúvida, um esforço de progredir, o que, de repente, significou olhar para trás. Realmente acho que não teríamos feito Revenge sem isso. Músicas como Forever e Hide Your Heart foram muito importantes para mim. Meus solos representaram uma nova página na história do Kiss, no sentindo de estarmos seguindo adiante.”

Como em 2020 Hot in the Shade completa 30 anos, vou contar mais um pouco do que falamos naquele papo. É claro que pinçamos o principal hit, Forever, que, apesar do tom novelesco, guarda suas curiosidades, tipo a do belo solo que Bruce Kulick bordou ali. É daqueles que se tornam tão grandes quanto a própria canção e, por isso, costumam ser reproduzidos nota a nota sempre que alguém toca essa música.

“Na hora de gravar essa música, pensava em um solo “elétrico”, como o de Reason to Live, e tal. Mas Paul estava meio que: “Vejo de forma diferente. Acho que deveria tocá-lo em um violão. Jimmy Page faz algumas coisas assim nos primeiros discos do Led Zeppelin”. E saiu para buscar um CD do Led que queria me mostrar – era um período pré-iPod e YouTube, ou seja, não dava para chegar e simplesmente baixar uma música. Enquanto isso, comecei a trabalhar no solo com seu violão. Quando Paul voltou, já tinha a ideia básica do solo acústico, e ele estava completamente certo! Fiquei bem impressionado por ter me apontado uma nova direção. Sinto muito orgulho do que saiu dali.”