
Apocalyptic Love é um dos melhores discos solo do Slash . E me traz boas lembranças, não apenas profissionais, mas de algo que sempre pautou minhas crenças sobre o mundo da música. E isso diz respeito a coisas escrotas que muito fã valoriza (fã e imprensa), em vez de qualidades realmente cultuáveis.
Se existe um traço presente em muito músico consagrado, esse é aquele jeito nojento de ser (arrogância, futilidade, pobreza de espírito, chilique). Um traço que vários otários acham legal e perpetuam.
E aí está o link para minhas boas lembranças em relação a este álbum do Slash! O cara tinha tudo para ser um imbecil nojento, mas é o extremo oposto. Tive a chance de entrevistá-lo três vezes. Sempre fui bem atendido… e surpreendido!
A última entrevista teve como assunto justamente o Apocalyptic Love. Foi um faixa a faixa para a revista Guitar Player. Conversamos por telefone. Ocorreu tudo bem, até pouco antes do final. Exatamente quando ele iria comentar a última música do repertório oficial, acabou a energia em minha casa!!!
Sabe o quão difícil é conseguir uma entrevista dessa? O pior: a energia voltou logo depois! Pois bem, certo de que tinha me fodido, escrevi à assessora, explicando o que houve. Me desculpei e agradeci o phoner (de qualquer forma, eu tinha material suficiente).
Pra minha surpresa, minutos depois, recebo um e-mail dela. Por conta própria, o Slash gravou e me mandou o comentário da faixa que faltava. Agradeci e, como a entrevista era sobre a edição com extras, pedi a ela para ver se ele comentaria as demais (os bônus). Bingo! Recebo os áudios logo depois.
Isso pesa positivamente quando se trata de alguém que poderia ser um bosta. Nem todo o sucesso quebrou a conexão com a realidade, para ele. Acho que essa é uma qualidade que seus fãs, especialmente os músicos, DEVERIAM levar adiante quando forem posar de rockstar.