A imprensa cultural também agoniza forte com a pandemia. É como se o período em que nos enfiamos tivesse intensificado ainda mais um estado já bem delicado. Afinal, não é de hoje que essa fatia está fodida.

Há alguns anos, os veículos vêm se encolhendo. Ou somem de vez, ou somem e fingem que ainda estão aí, ou se apequenam consideravelmente (em estrutura e em qualidade de conteúdo). E não dá para colocar toda a culpa no colo da crise econômica, que é uma desculpa verdadeira e cômoda.

As gerações recentes não querem mais saber de ler. Limitaram seu interesse a 140 caracteres de tal maneira que, quando se deparam com algo mais extenso, vira “textão” – apelido pejorativo àquilo que lhes exige mais massa cinzenta para concatenar ideias, interpretar, raciocinar criativamente.

Mas não dá pra responsabilizar somente crise econômica e uma massa grande de não leitores. Esse perrengue também deu uma esvaziada de bons profissionais na área, o que acarretou na proliferação de um tipo danoso. Este é o do jornalista-fã ou jornalista que se acha artista. No fundo, ambos são o mesmo tipo de boboca.

É danoso porque o sujeito tá ali só pra angariar bajulação, ver suas postagens turbinarem em curtidas e ficar famosinho. Quer ser uma figura venerada como seus ídolos. Resultado: seus trabalhos são superficiais, sem graça e chatos de serem lidos (ou assistidos). Produzem materiais pra chamar a atenção de outros bobocas que possam curtir e alimentar seu ego. Assim fica realmente desinteressante ler/assistir sobre música, por exemplo. Ou seja, afasta público leitor.

O contexto da covid-19 não deixará somente lembranças amargas. Sem dúvida, nos dará a chance de recomeçar de outra maneira. Abrirá novos caminhos. Isso me desperta uma ponta de esperança em relação ao meio do jornalismo cultural. Que essa bagunça reorganize a área e que a torne mais inteligente, suculenta e isenta outra vez.

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