Creedence: baixista fala da turnê de despedida, que chega ao Brasil

Jeff Downey

O Creedence Clearwater Revisited traz a Final Revival Tour, seu giro de despedida, a este canto do planeta. Até o próximo dia 27, a banda toca em São Paulo (25/10, Tom Brasil), Porto Alegre (26/10, Auditório Araújo Vianna) e Curitiba (27/10, Live Curitiba).

Liderada pelo baixista Stu Cook e o baterista Doug “Cosmo” Clifford, a trupe toca clássicos de sua antiga e mais emblemática empreitada, o Creedence Clearwater Revival. Esta cravou uma série de hits no rock mundial entre a segunda metade dos anos 1960 e primórdios dos 1970.

Como das outras vezes em que vieram ao país, o público irá embalar ao som de Have You Ever Seen the Rain?Proud MaryBorn on the BayouWho’ll Stop the RainHey Tonight, e por aí vai.

Na ativa desde 1995, a versão Revisited sente-se com a missão cumprida. E quer saber por quê? É que já deu cair na estrada sem parar. Estão cansados dessa rotina e interessados noutras. Foi o que nos contou o simpático Stu Cook.

Como é dar adeus depois de tanto tempo na estrada?
É difícil. É duro parar com algo que se ama fazer, mas chegou o momento em que nos demos conta de que é hora de seguir adiante.

O que os fez resolver que agora era a hora de parar?
Bem, nós [ele e Doug Clifford] estamos com 74 anos. Por quantos anos mais você acha que ainda conseguiremos estar no planeta? Temos netos, e há coisas que quero fazer, além de só ficar em turnês. Quanto a isto, já sei como é, qual é o sabor e como cheira. Então, este é fim do período de revival.

Vocês estão na ativa com a versão Revisited desde a metade dos anos 1990. Por que nunca lançaram um álbum com canções inéditas?
Porque não é o que queríamos fazer com a Revisited. Essa banda é para celebrar e homenagear a original, Creedence Clearwater Revival.

Mas nunca deu aquela vontade de compor, ao menos, uma música?
Não queremos, seria uma banda diferente. Pra que iríamos acrescentar mais músicas à obra do Creedence? O Creedence já tem várias grandes canções.

Por ser uma turnê de despedida, há alguma chance de se reunirem com John Fogerty?
Não!

Li que haveria planos para algum projeto juntos…
Não! Deixe-me esclarecer: nossa relação é de negócios. Temos uma empresa especializada em merchandise – merchandise relacionada à banda –, mas é só isso.

O Creedence tocou no Woodstock de 1969. Hoje, depois de 50 anos, você se arrepende de terem se recusado a participar do filme e da trilha sonora do festival?
Nós estamos na trilha sonora! Se procurar no álbum, há quatro faixas do Creedence lá [nota: faixas do show do CCR só foram incluídas no box comemorativo que saiu em 1994]. O John Fogerty não queria que a banda entrasse no filme. Pergunte a ele o porquê, e ouvirá alguma besteira qualquer. Na época, ele nos disse que não tocamos bem o suficiente para participar desse filme. Porém, se der uma ouvida na performance do Creedence no Woodstock, verá o quão bem fomos.

O ano de 1969 foi o ponto alto para a banda, não?
Ahn, é, sim… Em 1969, 1970, estávamos realmente no topo das paradas naquela época. Então, acho que é isso. Não sei, nunca tive uma boa explicação.

Vocês estavam bastante inspirados. Lançaram três álbuns de estúdio naquele ano!
Sim, lançar três álbuns em um ano, ninguém faz isso. Faz? [risos] É loucura, e também era loucura naquela época, mas lançamos. Sei lá, acabou acontecendo por seja lá qual for a razão [risos].

Qual é o grande álbum da banda?
Não saberia te dizer. O Cosmo’s Factory foi nossa maior vendagem, mas acho que Green River… Ah, não sei! Cosmo’s Factory vendeu mais. Pronto!

Você acredita que veremos outra banda de rock deslanchando tão bem quanto o Creedence?
Não sei. Provavelmente, não [risos].

E o rock que se faz hoje em dia?
Gosto de Queens Of The Stone Age e Foo Fighters.

A falta de uma cena com rádios rock sólidas, como havia há não tanto tempo, está enfraquecendo o estilo?
Bem, o que está acontecendo é que o rock está enfraquecendo porque não há mais rock de verdade nas músicas. Por conta da internet e das rádios on-line, você pode ouvir qualquer tipo de música que desejar. Há mais variedade disponível.

As rádios costumavam a apontar uma direção, no rock.
Música é o que importa. As rádios estão sempre buscando audiência. Se o público não considera mais a música tão importante, não precisa de rádio.

As rádios costumavam compor uma espécie de trilha sonora para as gerações.
A música pop é a trilha sonora de cada geração. É por isso que não gosto da maioria das músicas de hoje, porque não é da minha geração.

Depois do Creedence Clearwater Revisited, você sairá de cena do mercado da música totalmente?
Não! Nunca deixarei o mercado da música totalmente. Só não quero mais sair em turnês.

Em mais de cinco décadas de estrada, você realmente já viu a chuva [brinco com o título do clássico Have You Ever Seen the Rain]?
Ainda não [risos]. E se tivesse visto, quem é que iria pará-la [Cook brinca, usando o título de outro hit, Who’ll Stop the Rain].

Qual é o legado que acha que construiu na história da música?
Não sei! Isso é para caras como você. Os críticos e repórteres que têm de dizer qual é o legado. Não faço ideia. Nossas músicas vêm se mantendo populares por mais de 50 anos. Talvez tenhamos quatro gerações de fãs. Talvez cinco, seis, dez gerações de fãs.

*Entrevista originalmente postada em meu antigo blog (Riffs).

Uma resposta para “Creedence: baixista fala da turnê de despedida, que chega ao Brasil”.

  1. […] sempre, as invertidas que os jornalistas tomam de seus entrevistados são ruins. Quando entrevistei o Stu Cook, baixista do Creedence Clearwater Revival, perguntei a ele se já havia visto a chuva. […]

    Curtir