
Desde que voltou à ativa, há cerca de 8 anos, o RPM mantém-se na estrada e com um único álbum lançado, o não tão inspirado Elektra (2011). Recentemente, os problemas internos pintaram outra vez e a banda caiu num breve hiato em 2017.
No ano passado, porém, Fernando Deluqui (guitarra), Luiz Schiavon (teclado) e Paulo P.A. Pagni (batera) anunciaram que seguiriam sem Paulo Ricardo. O posto foi preenchido por Dioy Pallone, um cara competente, mas desconhecido de boa parte do público.
As funções também se modificaram. Deluqui, meu entrevistado aqui, realizou o desejo antigo de dividir os vocais principais. Caso semelhante ao do batera P.A.. As mudanças incluem, ainda, espaços mais generosos para as composições de cada um.
O quarteto deu um significativo e acertado passo. O som está vivo, arejado e empolgante. Além do traço pop, as canções que eles têm lançado soam rockers, com riffs e refrãos. Têm uma pegada mais suculenta do que Elektra.
Se a bela balada Ah! Onde Está Você?, de dezembro de 2018, vem com um refrão meio Que País é Este (Legião Urbana), o mais recente, Escravo da Estrada, é sensacional. Tem o DNA do RPM e pinta de hit.
Escravo da Estrada é uma canção bem forte e aponta uma direção pouco explorada pelo RPM: ampara-se num refrão. O que significa ser um escravo da estrada?
Escravo da Estrada faz parte de uma tradição de canções “ponta de lança” de grandes trabalhos, como Hot Stuff, dos Stones, Supertitious, de Stevie Wonder ou qualquer funkão pra abrir um bom álbum. Tem riff de guitarra forte envolvido por teclados viajantes, baixo e batera com groove pesado e dançante, e letra falando sobre o que é viver da música. Viajar, ter parcerias que perduram, a coisa da grana como fator definitivo de autonomia e força, tragédias anunciadas – algo, infelizmente, frequente em nosso dia a dia – e a necessidade e o prazer de se tocar com a casa cheia. É uma música para mostrar o novo RPM.
Qual é o RPM de Escravo da Estrada?
A atual proposta traz novidades: Dioy Pallone é um ótimo baixista de rock. Eu e ele estamos dividindo os vocais. Lançamos dois singles, Ah! Onde Está Você, com ele no vocal principal, e Escravo da Estrada, comigo nesse papel. Isso traz à banda novas sonoridades, pois estamos abrindo vozes (P.A., o batera, também canta bem). Menos cansaço e muito mais força!
E Escravo da Estrada é rock! Muitos fãs da banda estavam sentindo falta de uma guitarra fazendo riffs pesados e longos solos no RPM. Não que vamos abolir os teclados, nada disso! Aumentamos a gama de direcionamentos no que diz respeito aos arranjos e estamos bem felizes com isso.
De cara, Escravo da Estrada traz uma diferença sonora: você nos vocais principais. Os espaços criativos mudaram de que maneira sem o Paulo Ricardo?
Quando voltamos, em 2011, tive um bate-papo com o Paulo em que sugeri uma abertura para que eu pudesse fazer alguns vocais principais e encaixar composições, pois tenho umas muito boas – em minha opinião. Infelizmente não rolou, mas no fim deu tudo certo. Agora temos uma banda bem mais dinâmica, que flui muito bem, cheia de tesão para gravar, divulgar e excursionar.
O que o Dioy trouxe para a banda?
O Dioy é um músico, baixista e cantor extremamente competente. Sabe tudo de rock, da história do rock, conhece bastante de estúdio, efeitos, frequências, mixagem e masterização. Tem uma voz bem forte, com alcance muito alto, e ao vivo é preciso. Não é um cara acomodado ou chegado num mimimi. Pelo contrario, mete a mão na massa mesmo… e com bom gosto, por sinal. Está sempre de bom astral… Com tudo isso somando, ficamos confortáveis. A banda está diferente e nitidamente mais capaz.
Vocês planejam um álbum ou aderiram à atual tendência de focar a produção em singles?
Vamos lançar singles em versões elétricas e acústicas para cada canção, como sugeriu nossa distribuidora, a One Rpm. Quando completarmos um álbum, lançamos.
A fase sem o Paulo Ricardo é ainda recente. Vocês temem sofrer os efeitos de uma, digamos, Paulo Ricardo dependência?
Estamos trabalhando com a aceitação do grande público cada vez maior. À medida que o tempo passa, as pessoas têm visto que não estamos brincando. E estamos decididos a continuar assim. Não tem volta!
Por que o RPM não conseguiu manter regularidade na carreira?
Porque não soubemos administrar o espaço interno de cada um. Agora temos isso resolvido, pois estamos trabalhando em conjunto, sempre! Todos felizes. Claro que nem tudo é perfeito, mas estamos só começando e temos maturidade e bastante tesão pra fazer desse um RPM produtivo… e muito!

