
O Kiss está em outra turnê de despedida. Se considerarmos as idades de Paul Stanley e Gene Simmons, os únicos membros originais remanescentes, dá até pra levar um pouco mais a sério, dessa vez. Estão na porta dos 70. Por outro lado, em se tratando de Kiss, soa algo desconfiável. Reis do marketing e dos caça-níqueis na música, eles têm sempre algo nas mangas – e isso ganhou quase que por completo o espaço do lado musical (que deveria ser prioridade) desde 1998.
A tal reunião da formação original, com máscaras, em meados dos anos 1990, foi um sonho e um pesadelo. Realizou o desejo de muitos, incluindo a mim, mas trouxe desgosto ano após ano pelo progressivo desinteresse por continuar compondo e trabalhando como uma banda em sua essência (de jeito como foi até o Carnival of Souls).
Dali, de 1998, para cá a sede caça-níquel veio aumentando e produzindo chatices e futilidades. Passou a entoar aquele papo-furado de que o Kiss é maior do que qualquer integrante e que, sim, por isso a banda poderia até existir sem qualquer membro fundador. Que merda de balela tosca. O Kiss, tal qual todas as bandas, depende de seus integrantes originais, principalmente. Quando se perde a essência, perde-se o porquê, mais do que a graça (que também vai embora).
Portanto, se o Kiss realmente estiver falando sério e findar seus dias, terá ido tarde. Teve ótimas oportunidades de recuperar uma autoestima artística, e não o fez. Permaneceu sendo uma banda cover de si própria, com os excelentes Eric Singer e Tommy Thayer, reduzidos a meros performers do legado de Peter Criss e Ace Frehley, respectivamente. Ok, continuou sendo muito, mas muito melhor vê-los assim a pagar para assistir a um grupo cover, mas não dá, né?
O que aconteceu nestes últimos 20 anos faz sentirmos muita saudade de tudo o que rolou até 1998. Uma ou outra passagem vale, como o disco Monster, de 2012. E só.
