Barão pra frente, sempre

Arquivo pessoal

Barão Vermelho no Sesc Piracicaba (27/07/2018)

Fazia tempo que não assistia a um puta show de rock bom! Nessa sexta agora, vi o Barão Vermelho em sua turnê #BarãoPraSempre, no Sesc Piracicaba. Eu estava duplamente ansioso: para vê-los, afinal de contas sou fã da banda (e tenho sede de show que preste), e para sacar o clima da fase atual, com Rodrigo Suricato nos vocais e Márcio Alencar no baixo.

Garanto que vir acompanhando os vídeos postados pelo quinteto no Facebook ainda não havia me dado uma direção. Mas foi só vê-los passando o som, brevemente, que algo me indicou qualidade. Depois, na apresentação, experimentei uma sensação de empolgação que há tempos buscava.

Do início ao fim, o Barão Vermelho dominou o palco. Que presença fantástica, e isso jorra energia em alta voltagem ao público! O local, aliás, estava abarrotado, e devolveu a tremenda noite que ganhava dos roqueiros. Não me lembro de uma só música, ou trecho de música, com aquela amainada típica.

Mesmo quando deu uma pane no gerador, no início do clássico Cuidado, a lealdade da plateia e o gabarito da banda trabalharam de forma impecável. O som simplesmente sumiu (achei até sugestivo o perrengue ter rolado bem nessa música). Enquanto os reparos ocorriam, a galera seguiu cantando a plenos pulmões: “Cuidado, cuidado! Senão você dança!”.

Bem, mas e aí? E a fase atual? Porra, está animal! Ter duas baixas complicadas, como as saídas de Frejat e de Rodrigo Santos, exige muita raça, qualidade e sorte (a implicância do público não tem fórmula). E o Barão Vermelho resolveu o nó com classe.

Acertou em Suricato, que tem o estilo vocal da banda e, ao mesmo tempo, não reproduz Frejat nem Cazuza. E toca muita guitarra, também. Sabe tirar um timbre de primeira e carrega aquele sangue bluesy nas veias. Completou perfeitamente a cama guitarrística maestrada pelo singular Fernando Magalhães, um dos grandes nomes da guitarra nacional. Do fundo de sua genuína simplicidade como pessoa, sai uma sensibilidade ímpar para tocar.

Márcio Alencar, ainda que seja um sideman, parece estar ali desde sempre. É um cara animado, carismático e dono de uma energia 220 volts em cima do palco, além de ser um baixista excelente.

Guto Goffi e Maurício Barros, os dois fundadores do grupo, mantêm o pedigree que se iniciou há mais de três décadas. O tecladista até mostrou mais que a pegada certeira em seu instrumento. Assumiu a dianteira e cantou Cuidado (justo aquela da pane), e me agradou. Não soou forçado.

Com toda sua história e importância, o Barão Vermelho agiganta-se no palco. Na noite de sexta, tocaram seus clássicos, além de canções do Cazuza e de suas já conhecidas versões, como a de Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto (Legião Urbana). O melhor é que eles se esforçam para romper a distância terrível que se cria entre bandas assim e o público. São caras simples, são nobres, são foda, são puro rock and roll!

Eu, que não sou de comprar nada em shows (só cerveja), fiz questão de reverenciar essa grande banda que o rock nacional produziu. Uma banda que sabe seguir adiante, e com fibra, honrando o passado sem se amarrar a ele. Comprei minha camiseta com orgulho. Valeu por esse puta show de rock and roll.

Uma resposta para “Barão pra frente, sempre”.

  1. […] que nos levam a crer que aquela formação tem anos e anos de estrada. Ao vivo, conforme já resenhei aqui, eles têm uma garra e um tesão compartilhado. Em estúdio, agora constatamos que realmente […]

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