
A essa altura, muita gente já assistiu ao novo clipe de Frank Solari. No início do mês, o guitarrista gaúcho divulgou sua versão eletrificada para ‘As Quatro Estações (Verão, 3° Movimento – Presto)’, composição de Antonio Vivaldi, um mestre da música erudita.
A releitura soa robusta, arejada e, acima de tudo, cativantemente original, uma genuína interpretação. Passa longe de ser uma apelação tecnocrata de guitarrista querendo exibicionismo e mais curtidas para seu ego.
Solari não está sozinho nessa. Contou com uma dupla tão competente quanto ele próprio: o baterista Elias Frenzel e o baixista Valdi Dalla Rosa. O trio tem uma química que valoriza o lado “power” da famosa denominação power trio.
O clipe de ‘As Quatro Estações’ foi gravado por Marcelo Schmidt no Solari Studios, em Porto Alegre (RS), no dia 11 de maio passado.
Confira abaixo a entrevista com Frank Solari e Valdi Dalla Rosa e, logo em seguida, o clipe de ‘As Quatro Estações’.
Você fez uma versão e tanto para esse clássico, no mais puro dos sentidos de clássico. O que há por trás dessa gravação, um novo álbum?
Frank: Tenho pensado em fazer um novo álbum, sim, e gostei da experiência de interpretar essa obra de tamanha importância do grande compositor Vivaldi. Estou selecionando um repertório que possa unir minha diversidade musical como intérprete, instrumentista e autor, dando sequência a minha discografia.
O legal de sua versão é que ficou bem orgânica e sem soar Yngwie Malmsteen, como soa a grande maioria dos que regravam clássicos eruditos. Qual é o traço mais “seu” dos dois nessa releitura?
Frank: Ouvi Vivaldi, assim como Chopin, Bach, Beethoven, Mozart e outros grandes compositores, muito antes de ouvir Yngwie Malmsteen. Tocava e interpretava alguns deles também ao piano, meu instrumento primário. Desenvolvi interpretação ouvindo álbuns de música erudita. Posteriormente apliquei o aprendizado na guitarra, adaptando a técnica do violino, o que foi bem difícil…
Com o trio procurei manter a vibe de uma orquestra, regendo o baixo e a bateria. A banda está me seguindo, essa é a sensação. A responsabilidade rítmica fica comigo também, não mais com a bateria. Para o baixo, pensei em unir a melodia principal com a força e o peso da composição. Tive de abrir mão das outras vozes da melodia em função da intenção “rock” do arranjo para power trio.
Acabei acrescentando meu toque na melodia principal, mudando o desenho original (provavelmente a parte mais conhecida do tema). A execução da ideia do baixo ajudou bastante nesse momento. Pude “ouvir” o resultado sendo construído em minha cabeça antes de ser gravado. A execução foi tranquila, com a ótima qualidade técnica do Elias e do Valdi.
Valdi: Acrescentei slap ao refrão, o que criou uma conversa com a guitarra, e a linha com acordes em seguida, para dar a sensação das terças maiores e menores – isso deu uma atmosfera harmônica à linha de baixo. Também utilizei a técnica do pizzicato de três dedos a fim de conseguir a pegada certa e a velocidade necessária para tocar a peça. O desafio foi fazer tudo soar grande em trio.
Você contou com uma banda muito boa. Fale das escolhas dos demais integrantes.
Frank: Eu já havia tocado com ambos. O Elias está comigo nos projetos ‘Van Halen by Frank Solari’, ‘DNA Rock’ e ‘Guitar Legends’. O Valdi tocou comigo em vários shows instrumentais,, com meu repertório autoral. Finalmente consegui juntá-los! Eles entenderam bem o que eu estava buscando, inclusive para as apresentações.
Valdi: A banda, logo no primeiro ensaio, ficou forte e coesa. Como já toquei com o Frank, nos conhecíamos, musicalmente. Ele é um músico fantástico, e a química é certa! Com o Elias não foi diferente: é um grande baterista, e apesar de ser nosso primeiro trabalho juntos, parecia que já tínhamos tocado antes! Então, a sintonia e o punch da banda pôde ser sentida por todos nós desde o início!
Qual é a impressão de vocês acerca do mercado, em relação à vertente que exploram?
Frank: Produzir um conteúdo dessa qualidade, nos dias de hoje, traz recompensas de diversas formas, muito além do mercado da guitarra. Traz prazer e realização como profissional, movimenta meu estúdio, masterclasses, workshops, redes sociais, alunos, convites para outros trabalhos, e tudo o mais.
Pensando sobre nosso mercado, se Vivaldi vivesse atualmente, talvez não conseguisse realizar sua obra. Mas sigo fiel a que gosto, sentindo a música que faço. Assim as coisas acontecem. Vivo a música e os sons, aberto ao novo, sempre!
Valdi: O baixo é um instrumento que vem crescendo muito nos últimos anos. Diversos artistas bons exploram ao máximo as possibilidades melódicas, harmônicas e rítmicas. Isso é ótimo! Porém, o Brasil tem um mercado voltado só para dois ou três segmentos, e que sabemos que está pobre. Mas a galera que curte música de qualidade e não abre mão de fazer um trabalho sério, de responsabilidade, está aí, gravando e lançando material.
:::: EQUIPAMENTOS
Frank Solari
– “Usei uma guitarra de 1993 personalizada, única, desenhada por mim e feita totalmente sob minha orientação, pelo luthier Domingos Fialho”
– Cordas Elixir .009/.046
– Amplificador Orange Dual Terror e caixa Marshall 1960A Slash Signature 1997 (“Uma raridade!”)
– Transmissor Audio-Technica ATW-1501
– Pedaleira: Dunlop Cry Baby Mini Wah, Mooer Hustle Drive, Nig Shred Pro, TC Electronic FlashBack Delay, TC Electronic Hall of Fame Reverb, Mooer Micro Preamp US Classic Deluxe e afinador Boss TU-3
Facebook de Frank Solari: acesse
Valdi Dalla Rosa
– Baixo Stacke Rock Bass 4 cordas (luthier)
– Cordas D’Addario .040
– Amp Pezo Bass System 5000 Valdi Dalla Rosa Signature
Facebook de Valdi Dalla Rosa: acesse
Assista ao clipe de ‘As Quatro Estações’, de Frank Solari:
